O MEDO DO MAR
Esses últimos dias tem sido aterrorizantes. Essa é a palavra certa mesmo. Porque to vivendo um verdadeiro terror dentro de mim.
Esse medo constante não é igual aquele medinho gostoso que a gente sente quando vê um filme de terror. É algo que tá me corroendo por dentro. Me puxando cada vez mais pra dentro. É um medo sobrenatural, inenarrável, que aperta o nó na garganta só de pensar.
To aqui escrevendo esse diário só pra me lembrar que ainda tenho o controle sobre alguma coisa, porque parece que essas crises tem me roubado cada vez mais de mim. Sinto que não consigo (e muitas vezes nem quero) mais viver. Os dias passam, e eu só quero deixar passar. Ou quero congelar bem aí mesmo, pra eu dar um suspiro. Conseguir respirar.
Me sinto sufocada a maior parte do tempo. Sufocada com as minhas perguntas sem respostas. Sufocada com o medo, a angústia, a tristeza. Sufocada com a insegurança. O pavor de perder o controle mais uma vez, de fracassar. De não conseguir mostrar pras pessoas que eu amo o quanto eu já tentei fazer alguma coisa, mas que agora não dá mais.
O maior nó é dessas coisas que eu não falei e que não tenho forças pra tirar de dentro de mim... De dizer que eu não aguento. Que nem sei mais o que quero. Não sei se quero me ocupar, e mostrar pra mim mesma que eu consigo. Ou de pedir arrego e desistir de tudo, pra me recompor e voltar mais forte.
Mas tenho medo. Medo do amanhã. Medo de não ter um amanhã.
Tenho medo de não voltar pra terapia, mas mais medo ainda de voltar e ser julgada por ter passado tempo fora.
Medo de ficar dependente dos remédios, mas medo de como eu possa ficar se não toma-los.
Medo de desistir de tudo e tentar me encontrar, mas medo de ficar dependente dos outros (financeiramente, principalmente).
Medo de não ter as respostas que eu tanto quero. De sequer me compreender.
Dói quando alguém me pergunta o que tenho, ou o que desencadeou isso, eu chorar no trabalho, não conseguir segurar o choro no restaurante, ou me trancar no quarto quando chego em casa só pra jorrar rios de lágrimas. Dói eu não saber responder. Dói quando sai um "Não sei. Também não sei o que é". Porque não espero que ninguém venha me explicar tintim por tintim como eu vou sair. Já que nem tenho forças pra seguir qualquer conselho.
Tô sendo levada pela maré... Espero que tenha alguém do outro lado pra me salvar. Espero não me perder e ficar vagando no meio de um mar de nada!
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